quinta-feira, 4 de junho de 2009
Fernando Pessoa - O guardador de rebanhos
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Libertação: Declaração Universal - Alejandro Spangenberg
Anarquista e amante me declaro, por isso não obedecerei a ninguém e não pedirei que me obedeçam. Minha cabeça inclina-se apenas diante da morte e do mistério infinito da vida. Minha humildade será a do guerreiro, nascida do respeito e do assombro perante a criação, nem maior e nem menor do que tudo o que existe. Não haverá poder humano que dobre minhas convicções, e na minha vida não haverá espaço para as concessões, salvo para aquelas ditadas pelo meu coração e escritas com a mão da ternura.
A meus filhos acalentarei com meus próprios braços e, quando estiverem prontos, os deixarei partir, livres como pássaros, voando em direção a seu destino.
Só, perante Deus, decreto e reivindico meu direito a ocupar um lugar entre os mistérios do Universo e, enquanto as forças incompreensíveis que regem o meu destino não determinarem o contrário, declaro que viverei minha vida com total intensidade, sem sujeitar-me ao pensamento alheio, nem às condicionantes da sociedade, durante o tempo em que me for dado viver.
Assumirei meu destino qualquer que ele seja, sem queixas nem renúncias, e ainda que nunca o consiga, lutarei com todas as minhas forças por merecer e não desperdiçar esta única e irrepetível oportunidade de estar vivo. Como sei que hei de morrer, qualquer que seja a forma de vida que escolha, hoje, com plena consciência, decido viver uma vida com significado, só por prazer e não porque espere qualquer recompensa.
De hoje em diante só acreditarei nos atos dos homens, e não em suas palavras. Meus inimigos são e serão os que lutam pela morte, aprisionam a imaginação, perseguem a beleza,acumulam riqueza, castigam as crianças, humilham os despossuídos e pisoteiam a verdade.
Saibam todos que hoje começou a Revolução.
Declaro que a partir de agora não me importarei em estar sozinho, e que aceitarei unicamente a companhia de quem ama a canção e o vinho,vive sem pedir permissão e está disposto a viver por suas convicções.
Por fim decreto e assumo meu direito irrenunciável de existir e de escolher quem sou, livre por fim de todas as identidades herdadas. Digo que meu lugar é o mundo; minha irmã, a liberdade; e que em todas as noites, sem o menor pudor, eu faço Amor.
Assim termino esta multitudinária assembléia unipessoal, porque cada homem que se liberta redime a toda humanidade. Motivo pelo qual, com absoluta falta de respeito, decidi desobedecer a todos os poderes e autoridades para converter-me em único condutor da minha vida.
Com toda a autoridade que emana deste ato, perante mim selo e firmo este compromisso.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Leitura de férias
Uma história íntima da humanidade, Theodore Zeldin - é uma viagem no tempo. Zeldin levanta, em pesquisa com mulheres francesas, alguns sentimentos sempre presentes na humanidade, como a solidão, o relacionamento entre homens e mulheres, entre outros, e busca suas origens na história. Denso, informativo, muito gostoso de ler.
O filho eterno, Cristovão Tezza - perfeito, merece todos os prêmios que ganhou e muitos mais. É de uma honestidade brutal, que choca e faz pensar.
O tigre branco, Aravind Adiga - um panorama da Índia atual, muuuuuuito além de "Caminho das Índias".
A cidade do sol, Khaled Hosseini - me fez pensar nas pessoas que vivem em situação de guerra, e em como a realidade delas é distante das nossa, por mais que nos esforcemos em compreender.
As belas coisas, que é do céu contê-las, Dinaw Mengestu - procura ir pelo mesmo caminho de Khaled Hosseini, mas ainda precisa comer muito arroz com feijão.
O jogo do anjo, Carlos Ruiz Zafón - argumento bom, prosa ruim. Metáforas desastradas ("chuva negra que desmoronava do céu em lágrimas de alcatrão"? Fala sério...) e uma profusão de lágrimas negras, olhares gélidos e sorrisos lupinos. Zafón deve ter lido muito Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft, mas não entendeu direito.
Sombras da noite, Stephen King - atualmente, ninguém escreve terror e mistério como Stephen King. Ele consegue ser convincente, mesmo nas situações mais absurdas.
Sob o sol da Toscana, Frances Mayes - que delícia! Me deu vontade de arrumar as malas e me mandar pra Itália, viver em uma casa no alto de um morro da Toscana, no meio de um jardim, assando pão com alecrim e tomando vinho sob um caramanchão de flores... Me disseram que o filme baseado no livro é muito bom de assistir, mas ainda não consegui encontrá-lo.
Crepúsculo, Lua nova, Eclipse, Stephenie Meyer - como boa mãe e tia de adolescentes, fui ler a nova coqueluche (que termo antigo!) da meninada. Dá para entender por que as meninas ficam fascinadas pelo Edward Cullen! Afinal, nada mais sexy do que um vampiro...
Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marques - pela terceira vez. Adoro o realismo mágico desses autores sul-americanos: Marques, Mario Vargas Llosa, Isabel Allende... Aqui, sim, encontrei metáforas boas: borboletas amarelas, por exemplo.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Saudações a quem tem coragem
Pense e dance
Barão Vermelho
Composição: Dé / Frejat / Guto Goffi
Penso!
Como vai minha vida
Alimento todos os desejos
Exorciso as minhas fantasias
Todo mundo tem um pouco
De medo da vida...
Prá que perder tempo
Desperdiçando emoções
Grilar com pequenas provocações
Ataco, se isso for preciso
Sou eu quem escolho e faço
Os meus inimigos...
"Saudações, a quem tem coragem"
Aos que tão aqui
Prá qualquer viagem
Não fique esperando
A vida passar tão rápido
A felicidade
É um estado imaginário...
Não penso
Em tudo que já fiz
E não esqueço
De quem um dia amei
Eu desprezo
Os dias cinzentos
Eu aproveito prá sonhar
Enquanto é tempo...
Eu rasgo o couro
Com os dentes
Beijo uma flôr
Sem machucar
As minhas verdades
Eu invento sem mêdo
Eu faço de tudo
Pelos meus desejos...
"Saudações, a quem tem coragem"
Aos que tão aqui
Prá qualquer viagem
Não fique esperando
A vida passar tão rápido
A felicidade
É um estado imaginário...
Pense e dance
Pense, pense e dance.
Pense e dance
Pense bem e pense bem e dance
Pense e dance
Pense, pense e dance...
domingo, 14 de dezembro de 2008
Papai Noel existe!

Há 110 anos, o New York Sun, um importante jornal nova-iorquino, publicava um editoral intitulado "Yes, Virginia, There is a Santa Claus" (Sim, Virgínia, Papai Noel existe). O texto foi produzido em resposta a uma carta enviada ao jornal por Virginia O´Hanlon, de oito anos, que estava em dúvida sobre a existência de Papai Noel.
É com enorme prazer que respondemos à carta abaixo, aproveitando para expressar nossa enorme gratidão em reconhecer sua autora como leal amiga do The Sun.
"Prezado Editor, tenho 8 anos. Alguns de meus amiguinhos dizem que não existe Papai Noel. Meu pai costuma falar: ‘Se estiver no The Sun, então será verdade’. Por favor, me diga a verdade: Papai Noel existe?" Assinado: Virginia O’Hanlon.
"Virginia, seus amiguinhos estão errados. Provavelmente foram afetados pela descrença de uma época em que as pessoas acreditam em poucas coisas. Só acreditam naquilo que vêem. Elas acham que o que não compreendem com suas cabecinhas não pode existir. Todas as mentes, Virginia, sejam as dos adultos ou das crianças, são limitadas. Neste nosso grande Universo, o homem é um mero inseto, uma formiguinha, quando seu intelecto é comparado com o infinito que o cerca ou quando medido pela inteligência capaz de entender toda a verdade e conhecimento.
Sim, Virginia, Papai Noel existe! Isso é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção e você sabe que tudo isso existe em abundância, trazendo mais beleza e alegria à nossa vida. Ah! Como seria triste o mundo sem Papai Noel! Seria tão triste quanto não existir Virginia. Não haveria então a fé das crianças, a poesia e a fantasia para fazer a nossa existência suportável. Não teríamos alegria nem prazer, a não ser com os nossos sentidos: seria preciso ver e tocar para poder sonhar. A transparente luz das crianças, com a qual inundam o mundo, seria apagada.
Não acreditar em Papai Noel!… É o mesmo que não acreditar em fadas!
Você poderia pedir ao seu pai para contratar muitos homens para vigiar todas as chaminés na véspera de Natal e assim pegar Papai Noel; mas, mesmo que você não o visse descendo por elas, o que isso provaria? Ninguém vê o Papai Noel, mas não há sinais de que ele não existe.
Você por acaso já viu fadas dançando no jardim? Claro que não, mas não há provas de que elas não estejam por lá. Ninguém pode conceber ou imaginar todas as maravilhas do mundo que nunca foram vistas e que nunca poderão ser admiradas. As coisas mais reais são aquelas que nem as crianças nem os adultos podem ver.
Se quebramos o chocalho de um bebezinho, poderemos ver o que faz aquele barulho lá dentro, mas existe um véu cobrindo o mundo invisível que nem o homem mais forte, nem mesmo toda a força de todos os homens mais fortes do mundo reunida poderia rasgar. Somente a fé, a poesia, o amor e a fantasia podem abrir essa cortina e desvendar a beleza e a glória celestiais que existem por detrás dela. Será que tudo isso é real? Ah, Virginia, em todo esse mundo não existe nada mais real e duradouro.
Se existe Papai Noel? Graças a Deus ele vive e viverá para sempre.
Daqui a mil anos, Virginia, e ainda daqui a dez mil anos ou dez vezes esse número, ele continuará a fazer feliz o coração das crianças."
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Elisa Lucinda, só de sacanagem.
Leiam abaixo "Só de sacanagem", de Elisa Lucinda:
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
domingo, 30 de novembro de 2008
Dica de passeio
Estive, no último sábado, num picnic com o pessoal da faculdade no Jardim Botânico de São Paulo, excelente dica de passeio que, infelizmente, grande parte das pessoas desconhece. O Jardim Botânico, que completou 80 anos no último novembro, foi remodelado e ganhou uma nova entrada e um "deck" de madeira de 240 metros, para acompanhar o Córrego Pirarungáua, que ganhou vida nova após permanecer canalizado por 70 anos. O Jardim Botânico abre de terça a domingo e feriados,das 9:00 às 17:00 horas, exceto Sexta-feira Santa,25 de dezembro e 1º de janeiro. O ingresso custa R$ 3,00 (R$1,00 para estudantes)!
